Dissertação - Claudia Bandeira das Neves

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Cultivo de Chlorella fusca LEB 111 em meio com ureia e concentrado de dessalinização : avaliação do crescimento e da composição bioquímica da biomassa

Autor: Claudia Bandeira das Neves (Currículo Lattes)

Resumo

O cultivo de microalgas em águas residuárias tem sido amplamente investigado devido à capacidade desses microrganismos de utilizar fontes alternativas de nutrientes e águas salinas ou residuais, reduzindo a demanda por água doce e insumos agrícolas. Além disso, esse cultivo possibilita a produção de biomassa rica em compostos de interesse, como proteínas, lipídios e carboidratos. Entretanto, os custos associados ao uso de água doce e nutrientes convencionais ainda limitam sua aplicação em larga escala. Nesse contexto, este trabalho avaliou o cultivo da microalga Chlorella fusca LEB 111 utilizando ureia como fonte alternativa de nitrogênio e concentrado de dessalinização (CD) como substituto parcial ou total da água doce no meio de cultivo, visando à produção de biomassa e à caracterização de sua composição bioquímica. Os experimentos foram conduzidos em duas etapas: na primeira, avaliou-se o efeito de diferentes concentrações de ureia (25%, 50%, 75% e 100% em relação ao nitrogênio fornecido pelo NaNO3 do meio BG-11); na segunda, a condição de melhor desempenho foi utilizada para avaliar diferentes proporções de CD (25%, 50%, 75% e 100%). Os cultivos foram conduzidos por 20 dias na etapa com ureia e 15 dias na etapa com CD, sendo avaliados crescimento, eficiência fotoquímica máxima (Fv/Fm) e composição bioquímica da biomassa. Na etapa com ureia, o tratamento com 50% apresentou o melhor desempenho, atingindo concentração máxima de biomassa de 1,7 g L1 e produtividade máxima de 90,5 mg L-1 d1. Os teores de lipídios variaram entre 27,54% e 31,59%, sem diferenças significativas entre os tratamentos, enquanto os carboidratos variaram entre 20,27% e 36,02%, com maior acúmulo no tratamento com 50% de ureia. Os teores de proteínas variaram de 26,34% a 46,24%, sendo superiores nos tratamentos com 50%, 75% e 100% de ureia em relação ao controle. Na etapa com CD, as maiores concentrações de biomassa foram observadas nos tratamentos com 25% e 50%, atingindo até 1,2 g L1, enquanto proporções superiores reduziram o crescimento celular. Os lipídios variaram entre 12,52% e 15,58%, sem diferenças significativas, enquanto os carboidratos variaram entre 20,81% e 31,22%, com maior acúmulo em 50% de CD. A maior concentração de proteínas foi observada em 100% de CD (50,15%). De modo geral, a substituição parcial da água doce por CD, especialmente nas proporções de 25% e 50%, permitiu manter o crescimento e a qualidade bioquímica da biomassa em níveis comparáveis ao meio convencional, evidenciando o potencial desse resíduo como alternativa sustentável para o cultivo de microalgas.

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Palavras-chave: MicroalgasBiomassaReúso da águaUreiaNitrogênioSalinidade da águaBiomassa microalgalChlorella fusca LEB 111Composição bioquímicaCultivo de microalgas