Dissertação - Gabriela Carvalho de Souza

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Obtenção de filmes de gelatina adicionados de óleo de alecrim (Rosmarinus officinalis L.) pelos métodos de casting e extrusão

Autor: Gabriela Carvalho de Souza (Currículo Lattes)

Resumo

A busca pela diminuição dos plásticos petroquímicos e ampliação do uso de materiais sustentáveis tem impulsionado o desenvolvimento de filmes biodegradáveis para aplicação em embalagens alimentícias, especialmente aqueles com propriedades ativas. A gelatina destaca-se como matriz polimérica devido à sua biodegradabilidade, capacidade formadora de filmes e baixo custo, enquanto a incorporação de compostos naturais bioativos representa uma estratégia promissora para a agregação de funcionalidades. Apesar de bem consolidada para produção de filmes em laboratório, o método de casting é inviável para produção em larga escala devido aos longos períodos de secagem e a quantidade limitada de produção. A extrusão possibilita a produção industrial, no entanto, as condições de operação utilizadas acabam por afetar significativamente as propriedades finais dos filmes biodegradáveis. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo obter e caracterizar o óleo da amêndoa de butiá e óleo de alecrim, selecionar o óleo com maior potencial bioativo para produzir e caracterizar filmes biodegradáveis de gelatina bovina, avaliando a influência dos métodos de produção nas propriedades desses materiais. Os óleos oriundos da amêndoa de butiá e das folhas de alecrim foram extraídos pelos métodos de Soxhlet, Bligh e Dyer e prensagem, e caracterizados quanto às atividades antioxidante e antibacteriana. Os filmes produzidos foram avaliados quanto às propriedades estruturais, físico-químicas, mecânicas, ópticas, de barreira, antioxidantes e antibacterianas. Os resultados evidenciaram que o óleo de alecrim apresenta boas atividade antioxidante e alto teor de compostos fenólicos, enquanto tais bioatividades não foram observadas no óleo da amêndoa de butiá. Os filmes biodegradáveis de gelatina apresentaram maior resistência à tração (RT) (42,73±3,4 MPa) quando produzidos por casting, e menor intumescimento (54,56±1,8% e 38,17±1,8%), permeabilidade ao vapor d'água (PVA) (0,74±0,13 g.mm/hm2.kPa e 1,06±0,15 g.mm/hm2.kPa) e maior ângulo de contato (59,49±3,6º e 67,96±4,3º) nos filmes extrudados a 90 ºC e 120 ºC, respectivamente. A incorporação de 1,0% de óleo de alecrim levou a menor espessura (0,095±0,01 mm) e PVA (0,56±0,008 g.mm/hm2.kPa), maior RT (46,68±2,7 MPa) e atividade antioxidante dos filmes produzidos por casting e maior ângulo de contato (79,02±2,8º) nos filmes extrudados a 90 ºC. Enquanto a incorporação de 2,5% ocasionou menor espessura (0,170±0,01mm) e solubilidade (27,54±3,7%) e maior RT (8,63±5,1 MPa), dos filmes extrudados a 120 ºC. A atividade antioxidante e o conteúdo fenólico total dos filmes incorporados de 2,5% de óleo foram maiores nos filmes extrudados e não apresentou relação com a temperatura de extrusão. Dessa forma, as propriedades dos filmes dependem do método de produção e do teor de óleo de alecrim incorporado. A mudança do método de casting para extrusão, nos filmes sem a incorporação de óleo, ocasionou maior hidrofobicidade da matriz enquanto, para os filmes incorporados de óleo, a atividade antioxidante demostrou relação direta entre a concentração de óleo incorporada e o método de produção. Portanto, o método de produção e o teor de óleo de alecrim incorporado devem ser selecionados em função das propriedades requeridas para a aplicação final dos filmes biodegradáveis.

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Palavras-chave: Engenharia de alimentosAlecrimAmêndoaButiáÓleos essenciaisProdução industrialExtrusãoGelatinaFilme biodegradávelCompostos bioativosTermoprensagemRosmarinus officinalis L.