Potencial antifúngico de nanoemulsões contendo própolis e curcumina

Autor: Jamile Lima Rodrigues (Currículo Lattes)

Resumo

O estudo de mecanismos de defesa agrícola tem possibilitado o cultivo de produtos com características mais adequadas ao manejo e produtividade. Para contornar essas dificuldades são utilizados defensivos agrícolas, como antifúngicos, para proporcionar um melhor desempenho na pré e pós colheita, mas muitas vezes estes são tóxicos. Neste sentido, o desenvolvimento de produtos com base nanotecnológica são interessantes, capazes de incorporar compostos naturais, que apresentam atividades biológicas satisfatórias para combater fungos e bactérias e possuem baixa toxicidade. Dentre os compostos de origem natural, podemos citar a própolis e a curcumina. A própolis é um material resinoso coletado pelas abelhas de diferentes partes das plantas que apresenta propriedades, tais como: antibacteriana, antifúngica, anti-inflamatória. A curcumina possui propriedades antifúngica, antibacteriana, antioxidante. No entanto, estes compostos possuem baixa solubilidade aquosa e apresentam, na sua forma livre, instabilidade frente a luz, que dificulta sua utilização. Diante disso, sua encapsulação em nanoemulsões é indicada para melhorar essas características e permitir que sejam utilizados em veículos aquosos. Este trabalho tem o objetivo de desenvolver nanoemulsões (NE) contendo própolis e curcumina para ser utilizada como antifúngico na pré e pós colheita, visando proteger a fruta do estresse oxidativo através da melhora dos seus mecanismos de defesa. Foram preparados três tipos de nanoemulsões: NE contendo curcumina (NE-CUR), NE contendo propolis (NE-PROP) e NE contendo os dois ativos (NE- CUR+PROP) pela técnica de homogeneização à alta pressão. Os nanocareadores foram caracterizados quanto ao tamanho de gota, índice de polidispersão, potencial zeta, pH, teor de compostos fenólicos e flavonoides totais. Além disso, foi realizado um estudo de liberação e permeação in vitro das NE em cascas de tomates e avaliado o efeito antioxidante e antifúngico in vitro. Os resultados indicaram que todas as partículas NEs possuem tamanho de aproximadamente 230 nm, com baixo PDI (0,17), potencial zeta negativo (-44 mV), pH de 6,78 e que essas características não foram alteradas quando os dois ativos foram incorporados na mesma formulação. Em relação a concentração de compostos fenólicos todas elas possuiam aproximadamente 21 mg/mL, já na concentração de flavonoides totais, observou-se em torno de 0,99 mg/mL, 2,18mg/mL e 2,79 mg/mL, para a NE-PROP, NE-CUR e NE-CUR+PROP, respectivamente. No ensaio de liberação as NEs tiveram uma liberação inicial dos compostos fenólicos, provavelmente provenientes da própolis e na sequência a liberação da curcumina, mantendo uma liberação prolongada por até 96 horas. No ensaio de permeação foi detectado concentrações de compostos fenólicos permeados proveniente das nanoemulsões no meio receptor, sendo um valor mais alto para NE CUR+PROP (385,80 µg/mL) e NE branca (90,18 µg/mL). A capacidade antioxidante dos compostos encapsulados foi mantida após o preparo das nanoemulsões e foi maior para NE-CUR+PROP. No ensaio de atividade antifúngica observou-se que a NE-CUR+PROP foi a que demonstrou a maior inibição frente aos fungos Alternaria alternata, Trichoderma reesei, Rhizopus oryzae, Penicillium verrucosum, Aspergillus flavus. Desta forma, sugere-se que é possível desenvolver um produto com base nanotecnológica contendo própolis e curcumina com propriedades físico-químicas adequadas para aplicação como antifúngico tanto no plantio como na pos-colheita.

TEXTO PARCIAL

Palavras-chave: PesticidasCompostos fenólicosPrópolisDefensivos agrícolasCompostos naturaisProdutos apícolasCurcuminaNanoemulsãoApis melliferaAntifúngico natural