Upcycling de bagaço de malte : produção de biossorvente para redução de aflatoxina B1 em cerveja
Autor: Yorrana Lopes de Moura da Costa (Currículo Lattes)
Resumo
As micotoxinas destacam-se devido sua toxicidade e frequente ocorrência em alimentos. Dente as micotoxinas a aflatoxinas B1 (AFLA B1) é considerada tóxica por sua carcinogenicidade a humanos, dado que tem contribuído pela busca de alternativas que visam detectar, prevenir e/ou reduzir esse tipo de contaminação. O potencial adsorvente das fibras vegetais em contaminantes orgânicos, como as micotoxinas tem sido o foco de estudos que buscam alternativas que permitem a transferência destes compostos para a superfície do material sólido, diminuindo ou eliminando a contaminação. O bagaço de malte, resíduo do processo cervejeiro, possui elevado conteúdo de fibras, disponibilidade e baixo valor comercial. Estas características tornam o bagaço de malte um potencial adsorvente, podendo ser promissora sua aplicação visando a redução dos níveis de AFLA B1 em cerveja. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar o potencial do bagaço de malte (BM) tratado quimicamente, como biossorvente para redução dos níveis de AFLA B1 em cerveja. Para tanto, BM foi seco, moído e tratado quimicamente com solução de H2SO4 e H2O2, avaliando os parâmetros de concentração das soluções, tempo de tratamento, pH e temperatura para a obtenção da melhor condição de adsorção da micotoxina. O estudo de adsorção foi realizado através da avaliação da capacidade de redução da concentração de AFLA B1 em cerveja. A redução dos níveis de AFLA B1 na cerveja foi realizada pela adição de 0,125 g de BM tratado a 10 mL de cerveja mantida a 150 rpm durante 24 h, com amostragens para a quantificação da micotoxina residual. Por meio do estudo da cinética, a quantidade de AFLA B1 adsorvida no equilíbrio (qe) pelo BM tratado foi de 720,50 ng g-1 em um tempo de contato de 24 h. O modelo cinético de maior ajuste aos dados experimentais foi o modelo de Elovich. O BM tratado foi caracterizado pelo teor de cinzas (5,78 g %), umidade (1,17 g %), proteínas (0,54 g %), microscopia eletrônica de varredura (MEV), isotermas de adsorção e dessorção de N2 (BET/BJH), indicando um perfil de curva, que conforme a classificação BET, se enquadram no tipo II. Com esse estudo, demonstrou-se a promissora capacidade adsortiva do BM tratato, podendo este ser aplicado em processos industriais, especialmente no processo cervejeiro, contribuindo com a economia circular concomitante a descontaminação de AFLA B1 em cerveja e a disponibilização de uma bebida segura ao consumo humano.