Produção de oleogéis a partir de óleo microbiano rico em carotenoides obtido de Rhodotorula mucilaginosa

Autor: Natalia Madruga Arrieira (Currículo Lattes)

Resumo

Oleogéis são sistemas coloidais formados por óleo e pequenas quantidades de um agente estruturante. Na indústria de alimentos, os oleogéis surgem como alternativa à utilização de ácidos graxos saturados e trans que, consumidos em excesso, estão associados a complicações metabólicas. Além disso, os oleogéis conferem aos óleos propriedades plásticas desejáveis, semelhantes às das gorduras, sem alterar sua qualidade nutricional. Mais recentemente, a aplicação de óleo microbiano na formulação de oleogéis tem sido abordada na literatura. Micro-organismos oleaginosos, como a levedura Rhodotorula mucilaginosa, são capazes de acumular de 20 a 80% de sua biomassa seca em lipídios. Os lipídios microbianos apresentam perfil de ácidos graxos semelhante ao de óleos vegetais, o que torna sua aplicação em alimentos interessante. Além disso, a R. mucilaginosa produz carotenoides, pigmentos lipídicos com atividade antioxidante e pró-vitamínica. Entretanto, métodos alternativos que utilizem solventes menos tóxicos na recuperação de lipídios, produzidos intracelularmente, devem ser estudados. Nesse sentido, o trabalho teve como objetivo produzir oleogéis de óleo microbiano rico em carotenoides (OMRC), extraído de R. mucilaginosa, visando a aplicação em alimentos. Assim, a levedura foi cultivada em meio agroindustrial para produção de biomassa. A homogeneização com alta rotação foi estudada para ruptura celular e extração simultânea do OMRC resultando em conteúdo lipídico cerca de 70% inferior ao controle (ruptura química com HCl 2 M por 1 h a 80ºC e extração por Bligh e Dyer). Após a seleção da ruptura química como método padrão, foram estudados solventes alternativos para a extração, os quais foram estatisticamente iguais ao método controle (23,8 ± 0,4%) resultando em conteúdo lipídico de 24,5 ± 0,9% para o método de Hara e Radin e 23,6 ± 1,4% para o método de Hara e Radin adaptado. Testes de estabilidade ao armazenamento mostraram que a cor do óleo, proveniente da presença de carotenoides, foi mantida apenas no óleo extraído pelo método controle, sendo selecionado como extração padrão do OMRC para formulação dos oleogéis. Foram produzidos oleogéis de OMRC e cera de carnaúba nas concentrações de 2,5, 5, 7,5 e 10% (m m- 1) (O2,5, O5, O7,5 e O10) e oleogéis controle compostos de azeite de oliva e cera de carnaúba nas mesmas concentrações, (A2,5, A5, A7,5 e A10). A difração de raios X evidenciou a forma polimórfica para os cristais formados tanto nos oleogéis controle como de OMRC. Na microscopia de contraste de fases, foram verificados tamanhos menores de cristais para oleogéis de OMRC, o que pode ter afetado a capacidade de retenção do óleo, sendo os valores máximos obtidos de 99,9% para a amostra A10 e 88,7% para a amostra O10. Além disso, na análise termogravimétrica observou-se que os oleogéis de OMRC decompõem em temperaturas mais baixas em relação ao controle, sendo menos estáveis termicamente. Ademais, a análise de compressão uniaxial evidenciou que os oleogéis de OMRC são mais frágeis em comparação ao controle. Dessa forma, o estudo contribuiu para o conhecimento sobre o potencial do OMRC, através da definição de características importantes para o entendimento deste sistema e suas possíveis aplicações na área de alimentos, sugerindo que novas formulações de oleogéis devem ser investigadas.

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Palavras-chave: Ácidos graxos insaturadosRhodotorula mucilaginosaLeveduras oleaginosasCeraCarnaúbaEstruturação